sábado, 13 de novembro de 2010

Refutando o ''teorema do macaco''

Essa idéia, apresentada de formas variadas, defende a possibilidade de a vida ter surgido por acaso, usando a analogia de uma multidão de macacos batendo nas teclas de um computador e, em dado momento, aca­barem por escrever um soneto digno de Shakespeare.
Gerry Schroeder, ao refutar minuciosamente esse teorema, refere-se a um experi­mento conduzido pelo Conselho de Artes Nacional Bri­tânico. Um computador foi colocado numa jaula que abri­gava seis macacos. Depois de um mês martelando o teclado — e também usando-o como banheiro! —, os ma­cacos produziram cinqüenta páginas digitadas, nas quais não havia uma única palavra formada. Schroeder comen­tou que foi isso o que aconteceu, embora em inglês haja duas palavras de uma só letra, o "a" (um, uma) e o "I" (eu). O caso é que essas letras só são palavras quando isoladas de um lado e de outro por espaços. Se levarmos em conta um teclado de trinta caracteres usados na lín­gua inglesa — vinte e seis letras e outros símbolos —, a probabilidade de se conseguir uma palavra de uma letra, martelando as teclas a esmo, é de 30 vezes 30 vezes 30, ou seja, vinte e sete mil. Então, há uma chance em vinte e sete mil de se conseguir uma palavra de uma letra.

Schroeder, então, aplicou as probabilidades à analo­gia do soneto. Começou perguntando qual seria a chance de se conseguir escrever um soneto digno de Shakespeare antes de continuar:

Todos os sonetos são do mesmo comprimento. São, por definição, compostos de catorze versos. Escolhi aquele do qual decorei o primeiro verso, que diz:

"Devo comparar-te a um dia de verão?". Contei o nú­mero de letras. Há 488 letras nesse soneto. Qual é a probabilidade de, digitando a esmo, conseguirmos todas essas letras na exata seqüência em todos os ver­sos? Conseguiremos o número 26 multiplicado por ele mesmo, 488 vezes, ou seja, 26 elevado à 488ª potência. Ou, em outras palavras, com base no 10, 10 elevado à 690ª potência.

Agora, o número de partículas no universo — não grãos de areia, estou falando de prótons, elétrons e nêutrons — é de 10 à 80ª. Dez elevado à octagésima potência é 1 com 80 zeros à direita. Dez elevado à 690ª é 1 com 690 zeros à direita. Não há partículas suficien­tes no universo com que anotarmos as tentativas. Se­ríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Se tomássemos o universo inteiro e o convertêssemos em chips de computador — esqueçam os macacos —, cada chip pesando um milionésimo de grama e sendo capaz de processar 488 tentativas a, digamos, um mi­lhão de vezes por segundo, produzindo letras ao aca­so, o número de tentativas que conseguiríamos seria de 10 à 90ª. Mais uma vez, seríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Nunca criaríamos um soneto por acaso. O universo teria de ser maior, na propor­ção de 10 elevado à 600ª potência. No entanto, o mun­do acredita que um bando de macacos pode fazer isso todas as vezes.

Trechos do livro Um ateu garante: Deus Existe, de Antony Flew

Como podemos ver, se já é muito improvável que tal teorema funcione com um simples soneto, é praticamente impossível que funcione com a origem da vida, que é algo realmente muito mais complexo.

 
Fonte: Sociedade Calvinista

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