terça-feira, 3 de julho de 2012

Enxergando além de Darwin III: Mary Jane West-Eberhard


Posted: 04 Jun 2012 11:23 AM PDT

27 de Maio de 2012 

Enxergando além de Darwin III: Mary Jane West-Eberhard

James Barham 

Mary Jane West-Eberhard (à esquerda) é tanto brilhante e quietamente subversiva, mas ela não é nenhuma agitadora.

Diferente da pessoa de minha prévia coluna nesta série, James A. Shapiro, ela não apresenta suas ideias como revolucionárias ou uma ameaça mortal à cosmovisão darwinista. 

Na verdade, ela saí de seu caminho para associar suas ideias com aquelas do próprio Darwin, que foram, em alguns aspectos, mais radicais do que aquelas dos seus herdeiros inferiores do século 20.(1) 

E mesmo assim, eu irei argumentar que West-Eberhard —que é pesquisadora no Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical no Panamá, bem como professora de Biologia da Universidade da Costa Rica— tem feito uma contribuição fundacional para uma nova e revolucionária abordagem para o teorizar evolucionário que parece ser bom (quaisquer que sejam suas intenções expressadas) para virar de cabeça para baixo o darwinismo dominante. 

As ideias de West-Eberhard são cruciais por uma razão principal: o projeto darwinista é voltado, mais do que qualquer outra coisa, para demonstrar que a teleologia, ou propósito, podem ser eliminadas de nosso entendimento teórico do mundo vivo. 

A obra de West-Eberhard ajuda a derrubar aquele projeto ao mostrar como a intencionalidade (ou direcionamento de objetivo) está no âmago de qualquer quadro explanatório realista em biologia evolucionária. Em outras palavras, sua contribuição consiste em demonstrar que, longe de eliminar o propósito da natureza, na verdade a evolução a pressupõe. 

Resumindo, a tese de West-Eberhard está contida no título de sua magnum opus, Developmental Plasticity and Evolution [Plasticidade de desenvolvimento e a evolução] (Oxford UP, 2003). 

O que é plasticidade de desenvolvimento? É a propriedade que todas as coisas vivas possuem de ser capaz de compensar durante o desenvolvimento ontogenético para as variações em condições tanto internas ou externas. Repare que “compensação” é um conceito teleológico. Isso implica que existe um estado particular final – ou com objetivo em que o ser vivo está tentando atingir por meio de manobras compensatórias. 

No caso de um organismo, o processo de desenvolvimento está objetivando a forma adulta viável. Se ocorre uma perturbação durante este processo —seja genético, fisiológico, ou ambiental— então as mudanças compensatórias irão ocorrer em outro local dentro do organismo a fim de garantir, na medida do possível, que uma forma adulta viável seja alcançada apesar da perturbação. É importante notar que tais mudanças compensatórias não precisam ser isoladas espacialmente ou temporariamente, mas podem, frequentemente resultar em cascatas de mudanças por todo o organismo, afetando múltiplos sistemas de órgãos no presente e no futuro. 

West-Eberhard chama esta força compensadora —que todos os organismos parecem possuir —”plasticidade de desenvolvimento (ou fenotípica).” O conjunto todo de mudanças compensatórias que ela se refere como “acomodação fenotípica.” Eis como West-Eberhard define estas duas ideias proximamente inter-relacionadas: 

“A plasticidade fenotípica capacita os organismos a desenvolver fenótipos funcionais apesar da variação e da mudança ambiental via acomodação fenotípica —ajustamento adaptativo mútuo entre as partes variáveis durante o desenvolvimento sem mudança genética.” (2) 

A razão por que a plasticidade de desenvolvimento e a acomodação fenotípica são importantes de um ponto de vista evolucionário é que levando os dois em consideração nos força a repensar radicalmente a explicação darwinista padrão de seleção natural.(3) 

O darwinismo está empenhado em extirpar a teleologia da biologia, com raiz e tudo. O modo pelo qual se propõe fazê-lo é invocando o acaso contra o contexto do pressuposto metafísico de mecanismo. 

Uma mutação pontual é introduzida de maneira aleatória no genoma. As consequências causais deste evento então se propaga como consequência de mudanças mecânicas aleatórias, daí serem deterministas, através de todo o resto do organismo. Se o fenótipo resultante for por acaso mais bem sucedido do que as formas competidoras, então a mutação original é mantida (“selecionada”) e que o genótipo, junto com seu fenótipo mecanicamente relacionado, são propagados gradualmente por toda a população. 

Na verdade, este cenário parece estar desprovido de teleologia. Há muito tempo tem sido aceito como uma questão de fé pela maioria dos biólogos. Por outro lado, tem sempre parecido absurdo para uma pequena, mas tenaz minoria de cientistas, praticamente desde 1859 até o presente. 

A ênfase de West-Eberhard sobre o papel da plasticidade do desenvolvimento na evolução consegue quebrar escancaradamente este longo debate não resolvido, ao demonstrar o papel conceitual fundamental que um processo claramente teleológico desempenha no quadro explanatório tácito da teoria da seleção natural. 

Os darwinistas se sentiram convencidos pelo quadro padrão porque eles confiaram tacitamente no fato de que os organismos possuem plasticidade fenotípica— resumindo, eles não são máquinas. 

Os críticos do darwinismo permaneceram céticos do quadro padrão porque eles mantiveram suas premissas mecanicistas mais claramente em perspectiva: Se você trocar aleatoriamente as peças de uma máquina, você nunca ganhará uma melhora no seu funcionamento. 

Bem, neste sentido restrito, verifica-se que os darwinistas estavam certos: Você pode trocar as partes de um organismo. Mas somente porque as outras partes, automaticamente, irão compensar pela mudança. Isto é, porque os organismos não são máquinas. Mas, é claro, naquele caso, dificilmente pode se dizer que o darwinismo eimina a teleologia do mundo natural. 

Assim, os críticos terminam com a preponderância da evidencial e a lógica estão do seu lado: se os darwinistas estivessem certos e os organismos fossem realmente máquinas, então a evolução teria sido impossível. 

West-Eberhard reivindica a possibilidade da evolução rejeitando a metáfora de máquina e colocando o poder adaptativo dos seres vivos (plasticidade do desenvolvimento e acomodação fenotípica) no centro do processo evolucionário. 

O livro-texto dela está repleto de exemplos concretos de plasticidade do desenvolvimento. O meu favorito é um conhecido como o “cabrito de Slijper,” que algum dia eu espero possa suplantar os tentilhões de Darwin como nosso modelo padrão para se pensar sobre a evolução. 

Everhard Johannes Slijper (1907–1968) foi um zoólogo holandês que durante a Segunda Guerra Mundial publicou um relatório sobre um cabrito que tinha nascidos sem as patas dianteiras.(4) Ele criou o animal até a idade de um ano, depois o sacrificou a fim de estudar sua anatomia. 

Com ajuda humana, o cabrito aprendeu a pular com suas patas traseiras. Slijper demonstrou que esta capacidade era apoiada por todo um conjunto de mudanças coordenadas no esqueleto e musculatura do animal. Na verdade, após a dissecção do corpo do animal, descobriu-se que se parecia mais com um canguru do que um cabrito normal. 

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AGUENTA FIRME QUE, PARA A NOSSA ALEGRIA, AINDA ESTÁ SENDO TRADUZIDO

(1) Mary Jane West-Eberhard, “Toward a Modern Revival of Darwin’s Theory of Evolutionary Novelty,” Philosophy of Science, 2007, 75: 899–908.

(2) Mary Jane West-Eberhard, Developmental Plasticity and Evolution  (Oxford UP, 2003); p. 51. 

(3) These ideas are not absolutely new, of course. For example, desenvolvimento (or phenotypic) plasticidade is clearly related to such ideas as Conrad Waddington’s “chreode,” Walter B. Cannon’s “homeostasis,” and Claude Bernard’s “milieu intérieur.” However, West-Eberhard’s developmental plasticity is more dynamic and flexible than any of those concepts. In this respect, her ideas hark back to Hans Driesch’s “harmonious-equipotential system,” or even Etienne Geoffroy Saint-Hilaire’s “unity of composition.” In any case, West-Eberhard’s signal contribution has been to stress desenvolvimento plasticidade as a significant contributing factor in evolution, rather than writing it off in typical Darwinian fashion as just another resultof seleção natural. 

(4) E.J. Slijper, “Biologic-anatomical Investigations on the Bipedal Gait and Upright Posture in Mammals, with Special Reference to a Little Goat, born without Forelegs,” Proceedings of the Koninklijke Nederlandsche Akademie van Wetenschappen, 1942, 45: 288–295, 407–415. 

(5) Mary Jane West-Eberhard, Developmental Plasticity and Evolution (Oxford UP, 2003); p. 52. 

(6) Ibid.; p. 503. 

(7) For a more succinct presentation of her ideas, including the Slijper’s goat example, see Mary Jane West-Eberhard, “Phenotypic Accommodation: Adaptive Innovation Due to Developmental Plasticity,” Journal of Experimental Zoology, Part B: Molecular and Developmental Evolution, 2005,304B: 610–618.

Source/Fonte: BestSchool Org
Posted: 04 Jun 2012 05:33 AM PDT
Fé Cristã e pensamento evolucionista
 
Atualizações teológico-pastorais a um tema desafiador 



Organizado por dois renomados professores da PUC-Rio: Alfonso García Rubio e Joel Portella Amado, esta obra aborda um tema atual e relevante: a relação entre fé cristã e pensamento evolucionista

A relação entre teologia e ciências naturais continua estremecida. E se revela especialmente sensível quando se procura relacionar a visão científica evolucionista com a fé em um Deus criador. Para enfrentar esse conflito, a reflexão teológica precisa, antes de tudo, escutar com atenção e respeito aquilo que as ciências afirmam sobre o tema da evolução. Os autores deste livro não são cientistas, mas sua abordagem teológica pretende revisar e superar pressupostos sobre o universo, a vida e o ser humano que a teologia utilizou durante séculos como mediação de seu discurso.

Que pretende, pois, esta obra? Primeiramente, reiterar que não precisa haver contradição entre a visão científica evolucionista da vida e do cosmo e a autêntica fé bíblico-cristã. Em segundo lugar, indicar alguns caminhos que a teologia atual já está percorrendo e que mostram ser possível e real a compatibilidade entre ambas as visões.



Fonte: http://pos-darwinista.blogspot.com


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