«The convention redefines gender as a social construct, rather than as a distinction grounded in biology, and suggests violence towards women is systemic with roots in religion and culture.»
Sem que os portugueses tenham sido consultados, o governo de José Sócrates subscreveu em Abril de 2011 uma Convenção do Conselho da Europa que define o “género” como produto exclusivo de “construção social”, e não como distinção escorada na biologia.
A tal convenção tinha como propósito o combate à violência contra a mulher, mas estabelecendo contudo uma ligação exclusiva entre a violência contra a mulher e a violência doméstica. Ou seja, segundo o Conselho da Europa, só existe violência doméstica quando uma mulher é vítima de violência: se um homem for vítima de violência por parte da sua mulher, então não se trata de violência doméstica e nem sequer de violência: em vez disso, e segundo o Conselho da Europa, o homem não é vítima, e “apanha no corpo” porque merece e pelo facto de ser homem.
Portanto, o enviesamento ideológico da referida convenção do Conselho da Europa começa logo pela definição enviesada de “violência doméstica”.
Mas o absurdo do Conselho da Europa vais mais longe: decretou que não existe biologia. Para o Conselho da Europa, as ciências biológicas não existem, ou, em última análise, a biologia é aquilo que a política quiser.
E por isso o Conselho da Europa decretou que o “género é uma construção social”, o que significa que o pénis e a vagina são construções sociais; o período menstrual na mulher é também — segundo o Conselho da Europa — uma construção social; o facto de a mulher aleitar a sua cria é também uma construção social; o síndroma pré-menstrual na mulher é uma construção social; etc.
E por último, o Conselho da Europa decretou que, para além dos géneros serem pura e simplesmente construções sociais, a violência doméstica — ou seja, a violência sobre a mulher, porque segundo o Conselho da Europa, não existe outra — é produto da religião.
Segundo o Conselho da Europa, se não existisse religião não existiria automaticamente violência doméstica. E como a religião está ligada à tradição e à cultura antropológica dos diversos países europeus, o Conselho da Europa pretende, implícita ou explicitamente, proibir a religião, eliminar a tradição e impor uma cultura nova a todos os países da União Europeia — uma “nova cultura” imposta pela elite política europeísta e neognóstica.
No artigo 12 da convenção, o Conselho da Europa considera que a civilização europeia e a sua herança cultural deve ser destruída porque“é uma ameaça e uma fonte de violência” (sic).
No artigo 14 da convenção, o Conselho da Europa impõe a obrigatoriedade da educação activa das crianças segundo princípios de promoção cultural da homossexualidade e do transgenderismo, ou seja, segundo o Conselho da Europa, os professores primários devem incentivar as crianças da escola primária a serem homossexuais. Segundo o Conselho da Europa, um professor que não incentiva uma criança a ser gay, não é um bom professor.
Em suma, aquilo que pretendia ser uma convenção contra a violência doméstica, acabou por ser: (1) a definição de violência doméstica como sendo exclusivamente a violência sobre a mulher; (2) a desconstrução política das ciências biológicas; (3) a promoção cultural da homossexualidade entre as nossas crianças por intermédio do sistema educativo.

Estabelecer uma ligação epistemológica entre o actual politicamente correcto europeu, que em princípio e aparentemente defende a absoluta autonomia do indivíduo, por um lado, e a República de Platão, por outro lado, parece ser impossível. Mas não é. Existem hoje, de facto, elementos culturais e políticos novos e que obviamente não existiam no tempo de Platão. Mas, numa série de postais, irei procurar demonstrar como alguns elementos são substituídos por outros para que a utopia platónica possa finalmente ser realizada.