Nas discussões na blogosfera, não temos que ser politicamente correctos. Se alguém é burro, há que dizer que é burro. Não é falta de educação deduzir a burrice de alguém, e até é pedagógico, senão para o burro, mas pelo menos para quem o lê, que essa burrice seja tornada pública. Porém, para que possamos dizer que alguém é burro, temos de demonstrar por quê, sob pena de sermos, nós próprios, os burros. A pior forma de burrice é aquela que pretende fazer dos outros burros: é a “burrice pedante”.
Posto isto, vamos ao que interessa.
Desde logo, é irrelevante, para o leitor comum, saber se o darwinismo é a teoria pura e original de Darwin, ou se é a síntese darwinista — a que chamamos de neodarwinismo — elaborada em meados do século XX. Uma forma de burrice [preconceito] é pensar ou fazer crer que os outros não sabem nada do que estão a falar; e, portanto, dizer ou fazer crer que eu não sei o que é basicamente o neodarwinismo, é pedantismo asneante.
Para o leitor comum, o que interessa saber é o que darwinismo é a súmula de todas as teses que se foram adicionando à teoria original — é a soma cumulativa dos “Hadiths” da teoria. Para o leitor comum, neodarwinismo ou darwinismo é igual ao litro, e estamos a dirigir-nos ao leitor comum.
Em segundo lugar, e por princípio, a “evolução darwinista” não explica nada.
Dizer que “X aconteceu, ou surgiu, por causa da evolução”, é constatar um efeito, e não a causa. Seria o mesmo, se disséssemos: “X aconteceu porque X aconteceu”. O processo de evolução, mesmo que nalguns casos de micro-mutações seja verificável empiricamente, é incapaz de explicar o que quer que seja: antes, é apenas uma forma de contar uma história — é uma narrativa que nos diz “como aconteceram as coisas”, e não nos diz nada acerca das causas, do porquê das coisas terem acontecido de uma determinada maneira e não de outra; não nos diz qual é a lógica que informa e enforma o que aconteceu em alguns casos de micro-mutações. O mais que podemos dizer, nesses casos, é de que se trata de uma “explicação causal”, mas que não é uma explicação na verdadeira acepção do termo [explicação ontológica].
Portanto, o que verificamos nesta narrativa, é uma narrativa [passo a redundância]: conta uma estória. Vamos ver se a estória tem algum fundo de verdade, porque como dizia o nosso poeta Aleixo, “para uma mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem que ter à mistura / qualquer coisa de verdade”.

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