O António Piedade canta aleluias.
Descobriram uns fósseis de ovos que, alegadamente, reforçam a crença de que dos dinossauros e as aves tiveram um ancestral comum — mesmo que nós saibamos que os próprios darwinistas dizem que há terápodes com penas que nada têm a ver com as aves.
Naturalmente que António Piedade entra de mansinho: há dúvidas, diz ele. Ou seja, ainda há dúvidas acerca da certeza, assim como as dúvidas, em um cristão devoto, denotam a fortaleza da fé.
Sabemos que nem tudo o que põe ovos têm a ver com galináceos. Também sabemos que os ovos dos terápodes não tinham a forma oval, que surgiu nas aves devido à fisiologia das aves: a existência de um só oviduto [que termina na cloaca] que forma e enforma um ovo de cada vez, e que produz um istmo no ovo que armazena o ar necessário à respiração da ave na sua fase final de desenvolvimento no ovo. Ora essa bolsa de ar não existe nos terápodes [dinossauros ovíparos].
O argumento segundo o qual os ovos achados agora pertencem a um ancestral comum aos terápodes e às aves, é o das características da casca do ovo. Aliás, é o único argumento que pode fazer algum sentido.
O argumento diz que a casca de ovo achada é mais parecida com a morfologia dos ovos de dinossauros do que com os ovos das aves: e, vai daí, os darwinistas assumem imediatamente que os ovos achados são de dinossauro.
A "evolução" é isto: parece? então é!
Mas, como sabemos, nem tudo o que põe ovos é galinha; e os morcegos também voam e não pôem ovos; e há aves que põem ovos e não voam; e há répteis ovíparos que não voam e nada têm a ver com passarinhos. Mas sempre podemos dizer que tudo o que põe ovos é galinha: é uma questão de fé. Ou de dogma.